II. Natureza com Poesia – Árvores na Idade Média: a Tília

Árvores na Idade Média: a Tília

    As árvores eram parte importante da vida e do imaginário das pessoas durante o período medieval. Em todas as sociedades rurais, de acordo com o historiador Michel Pastoureau, existiam árvores boas e árvores más, árvores que se deve plantar e que se deve cortar. Uma árvore particularmente admirada na Idade Média foi a tília, da família Tiliácea, com origens no hemisfério norte.

Os autores, tanto medievais quanto da Antiguidade, teceram somente elogios a ela. Na Alemanha, onde já na Idade Média se apreciava registrar recordes, muitos documentos falam de tílias com grande circunferência de tronco. Em 1229, um autor medieval de Neustadt, na região de Württemberg, citava um tronco de tília com circunferência de 12 metros (medida atual). Mas mais que seu porte e sua longevidade, os medievais admiravam seu perfume, sua música (o barulho das abelhas) e a riqueza dos produtos dela provenientes.

A tília era a grande estrela da farmacopeia, que utilizava sua linfa, suas cascas e suas folhas, mas, acima de tudo, suas flores: com poderes sedativos e narcóticos. Ao mel de tília eram atribuídas inúmeras virtudes terapêuticas e aromáticas.

Essa espécie até hoje é encontrada vizinhas de hospitais, prática iniciada no século XIII. Depois disso, começam a aparecer perto de igrejas, representando um símbolo de proteção e autoridade. E, por sua autoridade, passaram enfim a ser plantadas junto às sedes de Justiça.

Pastoureau explica que ainda existem muitas dúvidas sobre a relação do homem medieval com as árvores. Pergunta-se, se fosse atribuído mais “poder” às estátuas de santos construídas em tília. Ou se os instrumentos musicais eram fabricados em madeira de tília porque era fácil de manejar ou porque era a árvore preferida das abelhas, que tocavam suas músicas. Mesmo com muitas questões sem resposta, os dados que hoje temos mostram o quão especial e próxima fosse a relação entre homem e árvores há alguns séculos.

Fonte: http://homoarboreus.blogspot.com/2010/10/arvores-na-idade-media-tilia.html

A Voz da Tília

Diz-me a tília a cantar: “Eu sou sincera,
Eu sou isto que vês: o sonho, a graça,
Deu ao meu corpo, o vento, quando passa,
Este ar escultural de bayadera…

E de manhã o sol é uma cratera,
Uma serpente de oiro que me enlaça…
Trago nas mãos as mãos da Primavera…
E é para mim que em noites de desgraça

Toca o vento Mozart, triste e solene,
E à minha alma vibrante, posta a nu,
Diz a chuva sonetos de Verlaine…”

E, ao ver-me triste, a tília murmurou:
“Já fui um dia poeta como tu…
Ainda hás de ser tília como eu sou…”

Florbela Espanca, in “Charneca em Flor”

Fonte: http://www.citador.pt/
Fotos: (1) Google/ (2) flickriver.com/5456357943/ by Transmontano

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Sobre daurabrasil

Experimento a quietude e adentro meu sítio íntimo. Amplio a sensibilidade... E, com liberdade, encontro-me com a Poesia. Situo ainda algumas questões e o que elas implicam... Sem anular o pensamento, ouso revelá-las, refletindo o sentir e o consentir. (Daura Brasil) * * *
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