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O que acontece na infância, não fica na infância – Por Revista Pazes – outubro 10, 2016

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Há tempos sabemos da importância da infância para uma vida adulta feliz e saudável psicologicamente. Recentemente li um livro que abordava o assunto. O autor citava o seguinte exemplo: se uma criança que chora e pede para ser alimentada é ignorada pela mãe, mas é alimentada, quando espera em silêncio, a criança grava em seu subconsciente, que quando quer alguma coisa não deve pedir, nem chorar, mas esperar, pois alguém vai perceber sua necessidade apenas em seu silêncio. Achei o exemplo esplêndido, porque apesar de fazer muito sentido e parecer lógico, é algo tão cruel, que eu não havia pensado nisso. Percebi o quanto pequenas atitudes podem influenciar o comportamento de um indivíduo a sua vida inteira, sem que o mesmo se dê conta. E infelizmente, conheci uma mãe que fez exatamente o descrito acima com sua filha. Desde que a mesma era bebê, ela dizia estar educando a filha.

Certa vez, tive a seguinte experiência com vizinhos de apartamento: as paredes não eram maciças o bastante para abafar os sons mais altos. Todos os dias a mãe das crianças parecia um anjo enquanto o marido estava em casa, falava baixinho e parecia a melhor mãe do mundo e esposa exemplar. Porém, assim que o marido saía de casa, a mulher começava a gritar com as crianças freneticamente. E por vezes trancava-as no banheiro ou no quarto para limpar a casa. O caso era claro: o casamento não ia bem, a mulher queria ser sempre melhor do que a ex-mulher do marido e tentava a todo custo manter a casa na mais perfeita ordem. Quando o homem chegava em casa, a mesma estava impecável, e a mulher parecia ser doce. Mas só até o momento do marido se ausentar novamente.

Eu me pergunto o que aquelas duas crianças vão levar para suas vidas adultas sobre essas experiências com sua mãe. Será que sempre verão no pai, o falso herói, que era capaz de transformar a mãe nervosa em uma pessoa calma e prestativa? Será que se darão conta algum dia, da oscilação terrível de humor a que eram submetidos diariamente, por conta da fraqueza da mãe? De que forma esse tipo de experiência afeta a vida das pessoas quando já adultas? E terão consciência dos problemas gerados na infância, que geram comportamentos inconscientes e que se repetem por uma vida toda? Será que todo estudo de psicologia e psicanálise nos permite mesmo olhar para trás e trabalhar tudo o que nos foi feito quando ainda éramos tão vulneráveis e vazios de aprendizado?

Não conheço as respostas para essas questões, mas gosto das dúvidas que elas geram. Conheço uma psicóloga que decidiu parar com toda sua vida profissional quando se tornou mãe. Ela sabia da importância fundamental dos dias infantis de sua filha. Para que a mesma venha a se tornar uma adulta feliz e segura, sem traumas e comportamentos oriundos de problemas inconscientes de uma infância mal vivida. Certamente muitas mães fariam o mesmo se soubessem do grau tão elevado de importância na vida de um ser humano que tem a sua infância.

Quer um filho saudável, feliz e bem-sucedido? Proteja sua infância. Viva seus dias com ele e para ele. O proteja de atitudes bobas como a da mãe que maltratava seus filhos toda vez que o marido saía de casa para o trabalho ou para seus passeios inusitados. O proteja da própria arrogância, de querer disciplinar seu filho que ainda mama no peito ou na mamadeira, o tornando um indivíduo que não saberá lutar por aquilo que precisa, mas possivelmente um fraco e covarde sem qualquer percepção do fato. Sem falar nas crianças molestadas, que sofrem vidas afetivas malsucedidas a vida inteira.

Ser criança é ser um indivíduo vazio que se enche com tudo aquilo que aprende através dos pais, da escolinha e das pessoas a sua volta. A criança absorve tudo ao seu redor, sem qualquer possibilidade de filtrar o que é bom do que é ruim. Se na maioria das vezes nem mesmo os pais percebem os quão falhos são, quem dirá as crianças.

Não somos responsáveis por nossa infância e nem pelo que fizeram conosco. Sobre isso e para isso, temos os recursos da psicologia.

Mas somos sim totalmente responsáveis pela infância de nossos filhos. E que todo amor seja destinado aos nossos. E quando necessário, vale buscar ajuda profissional, já que o assunto é tão sério, delicado e sim, muitas vezes difícil.

Porque o que acontece na infância, não fica na infância. Permanece a vida toda.

TEXTO DECarolina Vila Nova

Revista Pazes

Uma revista a todos aqueles que acreditam que a verdadeira paz é plural. Àqueles que desejam Pazes!

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Ciência perto de comprovar que pessoas absorvem energia de outras


Ciência perto de comprovar que pessoas absorvem energia de outras

Por Revista Pazes –

Pazes

Quem nunca sentiu uma energia densa seja em algum lugar ou na presença de alguma pessoa?!

No Mundo da Ciência, é comum ouvirmos dizer que tudo é energia, o que não seria diferente em nós e para nós.

O artigo trata de uma experiência feita em algas, e com o resultado, a doutora e terapeuta Olivia Bader Lee, sugere que o mesmo pode se aplicar aos humanos.

A equipe de pesquisa da Universidade de Bielefeld, na Alemanha, fez uma interessante descoberta mostrando que as plantas podem absorver fontes de energias alternativas de outras plantas.

Essa descoberta pode causar um grande impacto no futuro da bioenergia, eventualmente fornecendo a evidência de que pessoas absorvem energias de outras, da mesma maneira.

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Membros da pesquisa biológica do Professor Olaf Kruse, confirmaram pela primeira vez que uma planta, Chlamydomonas Reinhardtii, não apenas realiza a fotossíntese, mas também tem uma fonte alternativa de energia, que pode absorver de outras plantas, conforme publicado no site Nature.com.

As flores precisam de água e luz para crescerem, e as pessoas não são diferentes.

Nossos corpos físicos são como esponjas, absorvendo o ambiente a nossa volta.

É exatamente por isso que há pessoas que se sentem desconfortáveis onde há um certo grupo com mistura de energias e emoções”, disse a psicóloga e terapeuta Dr. Olivia Bader Lee.

Plantas produzem a fotossíntese a partir do dióxido de carbono, água e luz. Em uma série de experimentos, Professor Olaf Kruse e sua equipe, cultivaram a alga microscopicamente pequena, Chlamydomonas Reinhardtii, e observaram que quando expostas à falta de energia, essas plantas de células únicas podem absorver energia de vegetais ao redor.

A alga ‘digere’ as enzimas de celulose, tornando-as pequenos componentes de açúcar, sendo então transportados para células e transformados em fontes de energia.

“Essa é a primeira vez que esse comportamento é confirmado em um organismo vegetal. Essas algas poderem digerir a celulose, contradiz todos os livros anteriores. Até certo ponto, o que estamos vendo é plantas se alimentando de plantas”, diz Professor Kruse.

Dr. Bader Lee diz que quando os estudos sobre energia se tornarem mais avançados nos próximos anos, nós poderemos ver toda essa ação sendo traduzida também para os seres humanos.

Bader Lee complementa: “O organismo humano é bastante similar à uma planta, que suga, absorve a energia necessária para alimentar seu estado emocional, e isso pode energizar as células ou causar o aumento de cortisol e catabolizar, alimentar as células dependendo da necessidade emocional. ”

Finalizando, Dr. Bader fala da conexão do homem com a natureza, que se perdeu durante os anos, mas que está se reencontrando novamente, afirmando que o ser humano pode absorver e curar através de outros seres humanos, animais e qualquer parte da natureza. É por isso que estar perto da natureza é frequentemente tonificante, curativo e energizante para tantas pessoas.

Ao contrário do que pensam muitos cientistas da idade moderna, que clamam conhecer tudo, se existe um “mundo espiritual”, ele não é separado da Ciência, e sim separado da ciência reduzida do homem.

Por conta de inúmeros relatos de pessoas com capacidades ‘paranormais’ para o padrão moderno do mundo, pesquisadores da Universidade de Granada, na Espanha, conduziram um estudo sobre o fato de pessoas que afirmam verem a aura de outras, conforme publicado no site MedicalXpress.Com

O fenômeno neuropsicológico ‘Synesthesia’, é uma condição na qual um padrão cognitivo leva a outro, misturando seus sentidos. Dessa maneira, as pessoas que possuem essa capacidade, podem ver ou até mesmo sentir o som, ouvir um cheiro, ou associar pessoas a um tipo de cor ou música.

Vemos que não se trata apenas de uma suposição, mas algo sendo descoberto pelos cientistas e afirmado por outros, o que há milênios se sabia nas culturas orientais, por exemplo.

Sendo assim, o nosso campo áurico pode tanto afetar quanto ser afetado não só por pessoas ao nosso redor, mas também por objetos, já que conforme afirma a Ciência, tudo é energia.

BioField Global, fala detalhadamente sobre os nossos corpos mais sutis, do conhecimento dos antigos hindus, e do aprofundamento dos estudos da aura com o auxílio da moderna tecnologia.

FONTE : To no Cosmos

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Conselho de uma avó: “quando estiver triste, entrance o cabelo”

Conselho de uma avó: “quando estiver triste, entrance o cabelo”

Por Revista Pazes –

abril 10, 2016

Trançar cabelo

A minha avó dizia-me que quando uma mulher se sentisse triste, o melhor que podia fazer era entrançar o seu cabelo; de modo que a dor ficasse presa no cabelo e não pudesse atingir o resto do corpo. Havia que ter cuidado para que a tristeza não entrasse nos olhos, porque iria fazer com que chorassem, também não era bom deixar entrar a tristeza nos nossos lábios porque iria forçá-los a dizer coisas que não eram verdadeiras, que também não se metesse nas mãos porque se pode deixar tostar demais o café ou queimar a massa. Porque a tristeza gosta do sabor amargo.

Quando te sintas triste menina – dizia a minha avó – entrança o cabelo, prende a dor na madeixa e deixa escapar o cabelo solto quando o vento do norte sopre com força. O nosso cabelo é uma rede capaz de apanhar tudo, é forte como as raízes do cipreste e suave como a espuma do atole.

Que não te apanhe desprevenida a melancolia minha neta, ainda que tenhas o coração despedaçado ou os ossos frios com alguma ausência. Não deixes que a tristeza entre em ti com o teu cabelo solto, porque ela irá fluir em cascata através dos canais que a lua traçou no teu corpo. Trança a tua tristeza, dizia. Trança sempre a tua tristeza.

E na manhã ao acordar com o canto do pássaro, ele encontrará a tristeza pálida e desvanecida entre o trançar dos teus cabelos…

Créditos da foto de capa: Candelaria Rivera

Fonte: Revista Pazes

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Fibromialgia: a dor que a sociedade não vê, nem entende

Fibromialgia: a dor que a sociedade não vê, nem entende

Por Revista Pazes

 

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Fotografia de Anna O.

A fibromialgia foi reconhecida como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1992. Atualmente, a fibromialgia afeta 4% da população, sendo que deste total quase 90% são mulheres.

É conhecida como a “doença invisível” porque afeta todas as partes macias do aparelho locomotor e não pode ser diagnosticada facilmente através de exames médicos. A fibromialgia não se vê, não deixa marcas na pele nem provoca feridas que outros possam ver. É uma dor solitária, desesperadora.

Atualmente ainda se desconhece a etiologia desta doença, mas o que sabemos é que ano após ano são mais pessoas diagnosticadas, por isso a medicina está tentando trabalhar em uma intervenção o mais globalizada possível, incluindo, evidentemente, o aspecto biopsicossocial.

Hoje queremos apresentar algumas dicas básicas para que você possa enfrentar a doença com força, melhorando a sua qualidade de vida na medida do possível.

Fibromialgia: a doença real que não se vê

Quando uma pessoa não pode se levantar da cama porque sente que “agulhas ardentes” ferem as suas articulações, não está fingindo nem procurando uma desculpa para não ir ao trabalho. Quem sofre de fibromialgia deve adicionar à sua própria doença a incompreensão social, com a sensação de se sentir invisível em um mundo que só acredita no que vê.

Possível origem da fibromialgia

É preciso esclarecer em primeiro lugar que não existe evidencia médica que relacione a fibromialgia com uma doença psiquiátrica.

Alguns autores falam de que cerca de 47% dos pacientes sofrem de ansiedade, mas é preciso considerar também que esta dimensão psicológica pode ser uma resposta da própria dor, da própria doença.

Segundo um trabalho publicado na revista “Arthritis & Rheumatology” quem sofre de fibromialgia experimenta uma maior hipersensibilidade à estimulação sensorial cotidiana.

Através de uma ressonância magnética os pesquisadores descobriram que frente a um estímulo visual, tátil, olfativo ou auditivo, as regiões de integração sensorial cerebral sofrem um sobre estímulo maior que o normal.
As pessoas com fibromialgia têm um maior número de fibras nervosas sensoriais nos seus vasos sanguíneos, de modo que todo estímulo ou mudança de temperatura causa uma dor intensa.

Algo a considerar é que qualquer fator emocional irá aumentar a sensação de dor nestas fibras nervosas. Uma situação pontual de estresse irá resultar em uma sobrecarga na estimulação e em dor, e a sensação de dor e cansaço crônico pode conduzir o paciente à impotência e inclusive a uma depressão.

Portanto, caímos em um círculo vicioso no qual uma doença de origem orgânica é aumentada pelo fator psicológico. Por isso, vale a pena controlar a dimensão emocional para atenuar ou pelo menos “controlar” a origem etiológica.

Estratégias psicológicas para enfrentar a fibromialgia

A dor crônica faz parte da nossa realidade social, sendo a fibromialgia (FM) uma das suas principais causas. Agora que já temos clareza de que fatores como estresse ou a tristeza irão aumentar a sensação de sofrimento, é importante introduzir algumas estratégias básicas de enfrentamento que podem ajudar.

5 chaves para obter uma melhor qualidade de vida

Em primeiro lugar é importante considerar que nem sempre as mesmas estratégias servirão para todas as pessoas. Você precisa encontrar aquelas estratégias que sejam boas para você de acordo com as suas peculiaridades e necessidades. Para isso, experimente e selecione você mesmo aquelas que lhe causam maior alívio.

Entenda a sua doença. Isso implica estar em contato com especialistas, médicos e psicólogos. São necessários tratamentos multidisciplinares e cada um lhe trará todo o conhecimento desta condição para que você “compreenda” o seu inimigo. Desta forma, você estará mais seguro e prevenido.
Passe a ter uma atitude positiva na sua vida. Sabemos que não é simples, mas em vez de reagir frente a dor, é melhor aceitá-la e tratá-la, não se deprimir. Não hesite em conversar com pessoas que sofram o mesmo que você, não se isole, nem guarde rancor daqueles que o rodeiam.

Procure atividades que lhe permitam enfrentar o estresse e a ansiedade: existem técnicas de relaxamento muito adequadas que podem lhe ajudar. A ioga, por sua vez, também pode ser muito benéfica.

Nunca perca o controle da sua vida, não deixe que a dor domine. Para isso, estabeleça momentos de ócio cotidiano por menores que sejam. Saia para caminhar e não evite o contato social.

Ouça as suas emoções, os seus pensamentos e a sua linguagem. O que pensamos e sentimos tem uma influência direta sobre a doença. Se você disser frases como “não vou conseguir me levantar”, “isso não tem solução” ou “já não tenho mais forças”, você aumentará o seu sofrimento.

Créditos da foto de capa: Anna O.

FONTE: A Mente é Maravilhosa

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Revista Pazes – http://www.revistapazes.com/author/revistapazes/

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“A história da Noite, “que sempre tinha sido rainha sem nunca ter que reinar”, por Mia Couto

A história da Noite, “que sempre tinha sido rainha sem nunca ter que reinar”, por Mia Couto

Por Mia Couto –

março 11, 2016

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Antigamente, não havia senão noite e Deus pastoreava as estrelas no céu. Quando lhes dava mais alimento elas engordavam e a sua pança abarrotava de luz. Nesse tempo, todas as estrelas comiam, todas luziam de igual alegria. Os dias ainda não haviam nascido e, por isso, o Tempo caminhava com uma perna só. E tudo era tão lento no infinito firmamento!

Até que, no rebanho do pastor, nasceu uma estrela com ganância de ser maior que todas as outras. Essa estrela chamava-se Sol e cedo se apropriou dos pastos celestiais, expulsando para longe as outras estrelas que começaram a definhar.

Pela primeira vez houve estrelas que penaram e, magrinhas, foram engolidas pelo escuro. Mais e mais o Sol ostentava grandeza, vaidoso dos seus domínios e do seu nome tão masculino. Ele, então, se intitulou patrão de todos os astros, assumindo arrogâncias de centro do Universo. Não tardou a proclamar que ele é que tinha criado Deus.

O que sucedeu, na verdade, é que, com o Sol, assim soberano e imenso, tinha nascido o Dia. A Noite só se atrevia a aproximar-se quando o Sol, cansado, se ia deitar. Com o Dia, os homens esqueceram-se dos tempos infinitos em que todas as estrelas brilhavam de igual felicidade. E esqueceram a lição da Noite que sempre tinha sido rainha sem nunca ter que reinar.”

MIA COUTO, no livro “A confissão da leoa”

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Em 2008, quando Mia Couto participava da expedição de uma equipe de estudos ambientais ao norte de Moçambique, começaram a ocorrer na região ataques de leões a pessoas. Essa experiência inspirou o autor a escrever este romance singular.

Em A confissão da leoa, uma aldeia moçambicana é alvo de ataques mortais de leões provenientes da savana. O alarme chega à capital do país e um experimentado caçador, Arcanjo Baleiro, é enviado à região. Chegando lá, porém, ele se vê emaranhado numa teia de relações complexas e enigmáticas, em que os fatos, as lendas e os mitos se misturam.

Uma habitante da aldeia, Mariamar, em permanente desacordo com a família e os vizinhos, tem suas próprias teorias sobre a origem e a natureza dos ataques das feras. A irmã dela, Silência, foi a vítima mais recente.

O livro é narrado alternadamente pelos dois, Arcanjo e Mariamar, sempre em primeira pessoa. Ao longo das páginas, o leitor fica sabendo que eles já tiveram um primeiro encontro muitos anos atrás, quando Mariamar era adolescente e o caçador visitou a aldeia.

O confronto com as feras leva os personagens a um enfrentamento consigo mesmos, com seus fantasmas e culpas. A situação de crise põe a nu as contradições da comunidade, suas relações de poder, bem como a força, por vezes libertadora, por vezes opressiva, de suas tradições e mitos.

Mia Couto

Nasceu na Beira, Moçambique, em 1955. Foi jornalista. É professor, biólogo, escritor. Está traduzido em diversas línguas. Tem recebido diversos prêmios, dentre eles o Prêmio Camões, em 2013.

Fonte: http://www.revistapazes.com/author/mia/

 

 

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IV. Natureza com Poesia – Quaresmeira

QUARESMEIRA

 Quaresmeiras

Nome Científico: Tibouchina granulosa (Melastomataceae).

Características: Espécie arbórea com altura de 8-12 m e 30-40 cm de diâmetro, com ronco revestido por casca pouco escamosa. As folhas são opostas cruzadas, lanceoladas ou elípticas, rijas e com indumento escabro nas duas faces. As flores são vistosas e de coloração roxa. Os frutos são cápsulas deiscentes contento muitas e diminutas sementes. Existe uma variedade da espécie com as flores róseas.

Locais de Ocorrência: Distribui-se pelos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

Madeira: Moderadamente pesada, dura e de baixa durabilidade quando expostas às intempéries.

Aspectos Ecológicos: Planta perenifólia ou semidecídua característica da floresta pluvial atlântica. Ocorre predominantemente nas formações secundárias como capoeiras e capoeirões. Floresce, geralmente, duas vezes no ano, entre julho-agosto e dezembro-março, e os frutos amadurecem de junho a agosto e abril-maio.

Fonte: http://www.ibflorestas.org.br/

É tempo de quaresmeira!

Por: Maria Ramos

Foto: Flickr

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Se, com a proximidade das férias e a bateria de provas de fim de ano na escola, você não lembrou de admirar as flores na Primavera, não deixe de observar a quaresmeira ou flor-de-quaresma, como são conhecidas as árvores do gêneroTibouchina.

Elas têm esse nome porque geralmente florescem próximo ao período religioso da Quaresma, que vai da Quarta-feira de Cinzas ao Domingo de Páscoa, embora também possam florescer em outras épocas do ano.

Por causa da intensidade de suas floradas e a boa adaptação ao ambiente urbano, as quaresmeiras, com porte entre 7 e 12 metros, têm sido cada vez mais utilizadas na arborização de cidades, especialmente do Sudeste do Brasil. Devido à sua importância ecológica na reconstrução de áreas verdes, foi até eleita a árvore-símbolo de Belo Horizonte.  

Algumas espécies 

O gênero Tibouchina (Família Melastomataceae) está distribuído principalmente em regiões tropicais e subtropicais da América e inclui aproximadamente 350 espécies, sendo 129 nativas do Brasil.

A mais comum nas cidades brasileiras é a Tibouchina granulosa. Tem entre 8 e 12 metros de altura e é muito vistosa pela abundância de suas flores, que podem ser roxas ou rosas. Por isso, é muito usada em projetos de paisagismo. Suas flores geralmente desabrocham duas vezes ao ano, entre junho e agosto, e de dezembro a março, nesse último período com mais intensidade. Ocorre naturalmente na Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, sobretudo na floresta pluvial da encosta atlântica.  

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Tibouchina mutabilis ou manacá-da-serra – Foto Flickr

Já a Tibouchina mutabilis é uma espécie muito interessante, porque suas flores mudam de cor, do branco para o roxo, à medida que envelhecem. Possui entre 7 e 12 metros de altura e floresce durante os meses de novembro e fevereiro.

Por ser encontrada na floresta pluvial da encosta atlântica, do Rio de Janeiro até Santa Catarina, aT. mutabilis também é conhecida como manacá-da-serra. Outros nomes populares são jacatirão, flor-de-maio, flor-de-quaresma e pau-de-flor.  

Nas áreas de restinga da Mata Atlântica, é encontrada a Tibouchina pulchra que tem características bem semelhantes a T. mutabilis

Fontes de informação:

 Lorenzi, Harri. Árvores Brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil, vol. 01, 4 ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002.

Lorenzi, Harri. Árvores Brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil, vol. 02, 2 ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002.

Fonte: http://www.invivo.fiocruz.br/

Quaresmeira

Quaresmeira _1[1]

Quaresmeira lilás
copa fechada florida
inspira o céu
ilumina o sol
encanta o universo
Quaresmeira florida
copa fechada lilás
brilha o olhar
alimenta a alma
Quaresmeira encantada
florida e lilás
inspira um novo tempo…

(Pedro Cesar Batista)

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Para maiores de 60 anos (e para os que vão chegar lá)

 

para os de 50 ou mais...

             “Gaste o seu dinheiro com você, com seus gostos e caprichos”

Recebi por e-mail estas dicas para quem já passou dos 60 e também para quem não chegou ainda a essa idade. Não consegui encontrar o (a) autor (a). É uma relação de medidas para se viver melhor. A primeira delas: É hora de usar o dinheiro (pouco ou muito) que você conseguiu economizar​. Use-o para você, não para guardá-lo e não para ser desfrutado por​ aqueles que ​não​ tem a menor noção do​ sacrifício​ que você fez para consegui​-lo. Geralmente as pessoas que não estão sequer na família: genros, noras, sobrinhos. Lembre-se que não há nada mais perigoso do que um genro​ ou uma nora​ com ideias. Atenção: não é tempo para maravilhosos investimentos, por mais que possam parecer, eles só trazem problemas e é hora de ter muita paz e tranquilidade.

 

2. PARE de PREOCUPAR-SE COM​ A SITUAÇÃO FINANCEIRA dos filhos e netos.
Não se sinta culpado por gastar o seu dinheiro ​ consigo mesmo. Você provavelmente já ofereceu o que foi possível na infância e juventude como uma boa educação. Agora, pois, a responsabilidade é deles.

 

3. JÁ NÃO é época de sustentar qualquer pessoa​ de​ sua família. Seja um pouco egoísta, mas não usurário. Tenha uma vida saudável, sem grande esforço físico. Faça ginástica moderada (por exemplo, andar regularmente) e coma bem.

 

4. SEMPRE compre o melhor e mais bonito.
Lembre-se que, neste momento, um objetivo fundamental é de gastar dinheiro com você, com seus gostos e caprichos e do seu parceiro. Após a morte o dinheiro só gera ódio e ressentimento.

 

5. NADA de angustiar-se com pouca coisa.
Na vida tudo passa, sejam bons momentos para serem lembrados, sejam os maus, que devem rapidamente ser esquecidos.

 

6. Independentemente da idade, sempre mantenha vivo o amor.
Ame o seu parceiro, ame a vida, ame o seu próximo … LEMBRE-SE !! “Um homem nunca é velho enquanto se lhe reste a inteligência e o afeto”.

 

7. Seja vaidoso.
Cabeleireiro frequente, faça as unhas, vá ao dermatologista, dentista, e use perfumes e cremes com moderação. Porque se agora você não é bonito, é, pelo menos, bem conservado.

 

8. NADA de SER MUITO MODERNO.
É triste e doloroso ver pessoas com penteados e roupas feitas para os jovens.

 

9. SEMPRE mantenha-se atualizado.
Leia livros e jornais, ouça rádio, assista bons programas na TV, visite Internet, com alguma frequência, envie e responda “e-mails” use as redes sociais, mas sem estresse ou para criar um vício. Chame os amigos.

 

10. Respeite a opinião dos JOVENS.
Muitos deles estão melhor preparados para a vida, como nós quando estávamos a sua idade.

 

11. Nunca use o termo “no meu tempo”. Seu tempo é agora, não se confunda. Pode lembrar do passado, mas com saudade moderada. e feliz por ter vivido.

 

12. NÃO caia em tentação de viver com filhos ou netos.
Apesar de ocasionalmente ir alguns dias como hóspede, respeite a privacidade deles, mas especialmente a sua. ​

 

Se você perdeu o seu parceiro, obtenha uma pessoa para ir morar com você e trabalhar com as tarefas domésticas, e tomar esta decisão somente quando não mais possa dar de si e o fim esteja próximo.

 

13. Pode ser muito divertido conviver com pessoas de sua idade.
E o mais importante, não vai funcionar com qualquer um. Mas sim se você se reunir com pessoas positivas e alegres, nunca com “velhos amargos”.

 

14. Mantenha um hobby.
Você pode viajar, caminhar, cozinhar, ler, dançar, cuidar​ de um gato, ​de ​um cachorro, cuidar de plantas, cartas de baralho, golfe, navegar na Internet, pintura, trabalho voluntário em uma ONG, ou coletar alguma coisa. Faça o que você gosta e o que seus recursos permitem.

 

15. ACEITE convites.
Batizados, formaturas, aniversários, casamentos, conferências … Visite museus, vá para o campo … o importante é sair de casa por um tempo. Mas não fique chateado se ninguém o convidou. Certamente, quando você era jovem também não convidava seus pais para tudo.

 

16. Fale pouco e ouça mais.
Sua vida e seu passado só importam para você mesmo. Se alguém lhe perguntar sobre esses assuntos, seja breve e tente falar sobre coisas boas e agradáveis. Jamais se lamente de nada. Fale em um tom baixo, cortês. Não critique qualquer coisa, aceite situações como elas são. Tudo está passando. Lembre-se que em breve voltará para sua casa e sua rotina.

 

17. Dores e desconfortos, apresentará sempre.
Não os torne mais problemático do que são. Tente minimizá-los. No final, eles só afetam você e são problemas seus e do seu médico. Lamentações nada conseguem.

 

18. Permaneça apegado à religião.
Mas orando e rezando o tempo todo como um fanático, não conseguirá nada. Se você é religioso, viva-o intensamente, mas sem ostentação. A boa notícia é que “em breve, poderá fazer seus pedidos pessoalmente​”​

 

19. Ria-se muito, ria-se de tudo.
Você é um sortudo, você teve uma vida, uma vida longa, e a morte só será uma nova etapa, uma etapa incerta, assim como foi incerta toda a sua vida.

 

20. Não faça caso do que dizem a seu respeito, e menos do que pensam de você.
Se alguém lhe diz que agora você não faz nada de importante, não se preocupe. A coisa mais importante já está feita: você e sua história, boa ou ruim, seja como foi. Agora se trata de uma jubilação, o mais suave, em paz e feliz possível.

 

E LEMBRE-SE: “A vida é muito curta para beber vinho ruim”

Maya Santana

Fonte: http://www.50emais.com.br/artigos/para-maiores-de-60-anos-e-para-os-que-vao-chegar-la/

 

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A criança é a mensagem

A criança é a mensagem

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A criança é a mensagem.
Um Deus que entra em nossa vida desde a meninice é o mais crente de nós.
Acredita em recomeços.
Tem fé nos reinícios.
Adere aos nossos renascimentos.
O bebé é Deus dizendo: «Faça como eu, recomece sempre que um novo início for a salvação.»
Ele não é o outro que vem a nós.
É o menino que vimos crescer.
Não chega. Nasce.
Não se impõe. Entrega-se.
Não reivindica. Serve.
Não esmaga. Mistura-se.
Conta histórias para contar-se entre nós…
Não intimida. Seduz.

Elienai Cabral Junior

(citação: http://www.facebook.com/costinha.paulo)

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Não há Vagas

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Não há Vagas

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

– porque o poema, senhores,
   está fechado:
   “não há vagas”

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

    O poema, senhores,
    não fede
    nem cheira

Ferreira Gullar, in ‘Antologia Poética’

Não Há vagas

    ANÁLISE DO POEMA DE GULLAR

     RINALDO DE FERNANDES

     Ilustração: Tereza Yamashita

Um dos poemas mais instigantes de Ferreira Gullar é, certamente, Não há vagas, de 1963. É assim (já estou dividindo-o em suas estrofes): Primeira estrofe: “O preço do feijão/ não cabe no poema. O preço/ do arroz/ não cabe no poema./ Não cabem no poema o gás/ a luz o telefone/ a sonegação/ do leite/ da carne/ do açúcar/ do pão”. Segunda estrofe: “O funcionário público/ não cabe no poema/ com seu salário de fome/ sua vida fechada/ em arquivos./ Como não cabe no poema/ o operário/ que esmerila seu dia de aço/ e carvão/ nas oficinas escuras”. Terceira estrofe: “— porque o poema, senhores,/ está fechado: ‘não há vagas’”. Quarta estrofe: “Só cabe no poema/ o homem sem estômago/ a mulher de nuvens/ a fruta sem preço”. Quinta estrofe: “O poema, senhores,/ não fede/ nem cheira”.

Tentemos interpretá-lo, estrofe por estrofe. Primeira estrofe: o que significa o verbo “caber”, em “não cabe no poema”? Provavelmente “tema”, “assunto”, “abordagem”, ficando: “não [é tema,assunto ou abordagem do] poema” os seguintes itens: feijão, arroz, gás, luz, telefone, sonegação (grifo meu), leite, carne, açúcar e pão. Artigos de primeira necessidade, materiais imprescindíveis ao cidadão, à sua sobrevivência no cotidiano. Note-se que “sonegação” destoa dos demais itens. Por se tratar de um substantivo abstrato, posto em meio a substantivos concretos, e contendo um conteúdo de ordem moral. “Sonegar” pressupõe “furtar”, “fraudar”, “desviar”. Neste caso, tema ou assunto por excelência, pois diz respeito à saúde financeira do Estado, a prejuízo ao erário público. Numa palavra, diz respeito (como, reitere-se, os demais artigos apontados) à vida de todos. Portanto, é algo muito sério, que mereceria uma abordagem do poeta. Mereceria caber no poema. Assim, já se percebe o tom irônico do texto. Ainda na primeira estrofe, tem-se um ritmo liberado, irregular, as vírgulas de todos os versos são extraídas, o que já insere o texto no Modernismo; o verbo caber (sempre ele!) aparece em posição invertida (em “Não cabem no poema o gás/ a luz o telefone…”), ganhando destaque, tendo seu sentido intensificado. Há ainda a estrutura em paralelo dos versos finais (em “do leite/ da carne/ do açúcar/ do pão”), com a anáfora da preposição “de” contraída cadenciando a enumeração dos itens.

Segunda estrofe: aqui são destacados dois sujeitos, que também não cabem no poema: o funcionário público e o operário. O primeiro, com seu “salário de fome” (salário baixo, miserável, pouco), tem a “vida fechada/ em arquivos”. Aqui, no enjambement, a ambigüidade: vida em recinto com janelas e portas cerradas, portanto, insalubre, impróprio? ou vida burocratizada, sendo o funcionário apenas um número nos fichários estatais? O operário, por sua vez, ao esmerilar (ou friccionar) o seu “dia de aço” (dia duro, difícil) nas “oficinas escuras”, e embora com um trabalho tão indispensável à sociedade, fica na sombra, é a imagem ou metáfora da invisibilidade. Enfim, pela importância social de ambos, pela vida que levam, não mereceriam, funcionário e operário, também ser assunto do poema? Prossegue o tom irônico do texto.

Terceira estrofe: agora, ao modo de uma justificativa dirigida a gente solene (a poeta solene?), diz-se primeiro: “— porque o poema, senhores,/ está fechado”. Intui-se (e a ironia intensifica-se) que, se o poema “está fechado”, é porque está insensível, indiferente à vida e suas necessidades, ao homem e sua labuta. Aí vem a expressão que dá título ao poema: “Não há vagas”. Expressão típica do mundo do emprego, das relações patrão e empregado, indica falta de oportunidade. Ora, o que o poeta quer dizer, e em consonância com o teor irônico das estrofes anteriores, é que não é oportunopara a poesia ter como assunto as questões do dia-a-dia. Cabe a pergunta: não é oportuno para qual poesia? Para a do poeta? Para a da época em que foi composto o poema? Ou para a de poetas de períodos passados (os parnasianos, por exemplos, que se fechavam para os temas cotidianos)? Parece que sobretudo à poesia, do passado e do presente, que foge (ou aliena-se) dos dramas diários.

Quarta estrofe: aqui assevera o poeta que três coisas cabem no poema (ou na poesia que se fecha para a vida diária): o “homem sem estômago”, isto é, aquele, remediado ou rico, cujas preocupações não se voltam para as questões básicas de subsistência; a “mulher de nuvens”, ou seja, a mulher idealizada, objeto de abstração, e não, por exemplo, a dona de casa, imprensada no seu dia-a-dia; e a “fruta sem preço”, ou melhor, aquela apenas admirada nas formas, se exposta na obra de arte (por isto mesmo cabendo no poema), e não aquela comprada/negociada nos tablados da feira.

Quinta estrofe: agora vêm os versos finais, que afirmam: o poema “não fede/ nem cheira”, isto é, ele — o poema que apenas idealiza a vida — tanto faz existir ou não, é indiferente. Conclusão: Não há vagas, como foi indicado, se refere sobretudo à poesia, do passado e do presente, que se fecha à ordem do cotidiano. O texto, assim, com esse andamento metalingüístico, com o poema que discute a própria poesia, parece se tecer também como uma poética do autor. Ao se discutir o fazer poético, está se discutindo — embutido no texto — o sentido ou mesmo a função da poesia — para quê, e para quem, ela serve. O poema, assim, se tecendo como uma poética do autor, uma poética marcadamente modernista, e ironizando os poetas indiferentes à vida, ao cotidiano das pessoas comuns (como os parnasianos, por exemplo), traz o seguinte recado: a poesia não deve se furtar às questões sociais. Nela cabe, sim, há vagas para os dramas diários. Portanto: o sentido verdadeiro do poema é o contrário do que nele é dito.

RINALDO DE FERNANDES  – É escritor e professor de literatura da Universidade Federal da Paraíba. Vive em João Pessoa (PB).

http://rascunho.gazetadopovo.com.br/autor/rinaldo-de-fernandes/

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